Nas últimas semanas conversamos com vários de nossos clientes, de Manaus à Porto Alegre, todos preocupados em como sobreviver nessa crise, que vem tirando o sono de muita gente, inclusive do nosso time que está envolvido na busca de alternativas.
Em outras crises, sempre tivemos o pensamento de que era o fim de tudo, o fim do mundo. Mas após as crises passarem, saímos sempre mais fortes e melhores, aprendendo novos caminhos.
No cenário atual, uma coisa já é certa, alguns setores sofrerão mais do que outros, a “paulada” não será igual para todos. Olhando o gráfico da Cielo, vemos que alguns setores literalmente pararam.

Conversando essa semana com um empresário do setor de hotelaria, ele nos contou o triste fato que as cidades turísticas, como Foz do Iguaçu, Balneário Camboriú e o nordeste brasileiro, já estão com seus hotéis fechados, ou seja, faturamento inexistente. Com uma visão de retomada do negócio apenas no último trimestre de 2020, o ponto agora é como administrar o negócio até lá, e será necessária uma ajuda governamental/BNDES.
Para outros setores, como metal mecânico, auto peças, serviços, a previsão é de queda de receita vertiginosa nos próximos 60 a 90 dias, mas a recuperação deve ocorrer em um prazo curto. Portanto precisamos sobreviver a essa primeira fase.
Quando a crise se intensificou, principalmente com a infecção acentuada da Itália, orientamos vários de nossos clientes a reforçar o caixa, criar um colchão de liquidez. Em alguns casos insistimos, falamos e voltamos a falar sobre o assunto, fomos até chatos. Evidentemente que não tínhamos nenhuma bola de cristal, não sabíamos do tamanho da gravidade da crise, mas a experiência de ter passado por algumas crises anteriores nos levou a concluir que preservar o caixa da empresa seria a melhor estratégia para o momento.
Na semana seguinte, observamos movimentos das grandes corporações globais, entre elas AB Inbev, Boeing, Hilton, IAG e muitas outras, reforçando seu caixa através da utilização de suas linhas de crédito globais que estavam a disposição. Fizeram o lógico. Não fomos os únicos a pensar assim: proteger o caixa é proteger a empresa, é uma estratégia de sobrevivência. Alguns clientes seguiram esse caminho e para esses, o período torna-se menos doloroso.
Medidas dos governos para reduzir o impacto da crise:
Durante os últimos meses e acreditamos que, pelo menos, até o final de abril, os governos (federal e estaduais) estarão anunciando medidas para reduzir o impacto na economia e para população. Várias medidas foram tomadas, dentre elas podemos citar algumas:
- Na área trabalhista:
- MP 927/2020 definiu o teletrabalho, antecipação e concessão férias coletivas, aproveitamento de feriados, banco de horas e diferimento do FGTS;
- MP 936/2020 definiu a redução de salários e jornada de trabalho com objetivo de evitar demissões, suspensão temporário do contrato de trabalho, onde a empresa deixa de pagar parte do salário e o governo compensará parte das perdas.
- Na área fiscal:
- Postergação do recolhimento de ICMS por 90 dias;
- Postergação do recolhimento do Simples Nacional;
- Postergação de recolhimento de tributos federais;
- Prorrogação do prazo para entrega da DCTF e EFD – contribuições – PIS, Cofins e Previdência;
- Na área financeira:
- Suspensão do IOF sobre operações financeiras;
- BNDES prorrogou por 6 meses as parcelas de empréstimos;
- BNDES e Bancos de Fomento estão ofertando linhas de crédito para capital de giro (prazo 60 meses, com 24 de carência), linha de crédito para pagamento da folha de pagamentos para abril e maio, entre outros.
- Financiamento pelo governo da folha de pagamento com taxa de 3,75% aa, com carência de seis meses e prazo de 36 meses. IMPORTANTE: o crédito irá direto para a conta do funcionário e a empresa não poderá demitir neste período.
Os gestores precisam colocar foco e utilizar o que está sendo ofertado pelos órgãos governamentais para melhor gerir a crise. Podemos exemplificar: um de nossos clientes, do segmento de embalagem, em que a queda das vendas deverá atingir 50% em breve, está adotando as seguintes medidas:
- Gestão forte nos custos e despesas;
- Férias aos colaboradores de alto risco (idade avançada, problemas clínicos…);
- Redução de turnos;
- Planejamento de contingência se necessária redução da operação para alguns dias da semana;
- Suspensão de todos os investimentos;
- Renegociação do pagamento de contratos
- Prestação de serviços, aluguéis/arrendamentos (descontos na crise, compensação futura)
- Suspensão de pagamentos de impostos conforme benefício anunciado pelos estados;
- Prorrogação de 45 a 60 dias junto a fornecedores;
- Atenção total aos clientes para evitar a inadimplência ou reduzir ao máximo;
- Prorrogação dos contratos vinculados a operações de BNDES por 6 meses;
- Prorrogação por 60 dias das operações junto a bancos comerciais;
- Incremento de operações junto a bancos comerciais (utilizando limite disponível)
- Com bancos estatais conseguimos aumentar o limite
- Busca de linhas de crédito junto ao BNDES e bancos de fomento
- Para capital de giro: prazo de 60 meses, utilizando garantia do FGI;
Algumas dessas medidas já geraram um pequeno colchão de liquidez que possibilita enfrentar a primeira fase e nosso planejamento, que, atrelado às operações de capital de giro que estão sendo liberadas, prevê lastro suficiente para retomada da empresa após a crise. Com todas essas medidas, nós não temos dúvida que a empresa passará pela crise e estará preparado para retomada.
O importante nesse momento é reduzir ao máximo a exposição aos riscos, proteger nossas empresas e colaboradores. Você pode achar que somos otimistas, mas temos a certeza que vamos superar essa crise e sairemos melhores do que entramos. É evidente que precisamos nos ajudar, unir nossas forças e honrar o que acordamos com nossos parceiros.
Vamos agir!
Gilmar Michels
Mais de 25 anos de experiência, com atuação na coordenação de negociação de dívida em Recuperação Judicial, e expertise na estruturação de operações financeiras diferenciadas, coordenação. Professor da Universidade Positivo em Finanças Avançadas. Atuou como CFO, CEO e conselheiro em empresas nacionais e multinacionais.